terça-feira, 7 de outubro de 2014

Eu tenho medo


                É isso mesmo, eu tenho medo. Todos nós temos medo. O problema é como lidamos com o medo no dia a dia. Eu não sou psicóloga, tão pouco psiquiatra. Eu desejo relatar o meu problema com o medo e sei que muitos têm também. Antes de qualquer coisa, o medo é um sentimento natural, todos nós o temos e precisamos dele. O problema começa quando não sabemos lidar com ele, e é aí que começa o meu problema também.

Eu, por exemplo, vivi a minha vida inteira com medo, de fazer algo errado, de fazer falar algo errado, de errar, de não ser aceita, de não ser boa o bastante e assim vai, de ser rejeitada por não ser bonita o bastante. E isso pode prejudicar muito a vida de uma pessoa, no caso prejudicou muito a minha, pois acabei me limitando demais e fazendo muito pouco por mim mesma e isso fez com que perdesse oportunidades ou, simplesmente, deixasse passar por não me achar capaz de fazer determinada coisa.

O medo é um sentimento importante porque ele nos dá um freio, um limite. Qualquer pessoa que pratique um esporte radical, certamente, tem medo, mas sabe controlar seu medo e sabe respeitar suas limitações. Ele não vai deixar de fazer por medo, mas vai saber até onde pode ir e isso é muito bom. Saber calcular o risco, e se vale a pena aquilo. Tem gente que pula de paraquedas, punk jump, correr a 200 por hora, nada disso faz a minha cabeça, mas tem gente que gosta e não serei eu que vou dizer para não fazer. Cada um faz melhor da sua vida e desafiar o medo é saudável até certo ponto.

O meu problema é que eu paralisei para coisas mais simples da vida, como namorar, ter um trabalho que eu goste, dirigir, criar um família e assim por ainda. Como pode vê eu paralisei em coisas simples. Eu tinha medo de usar uma roupa mais justa, de usar um batom mais escuro, vermelho então é algo inimaginável para mim, usar uma peça de roupa um pouquinho mais ousada. Para quem me sugere fazer terapia, eu fiz por quase 10 anos, me ajudou bastante, mas ainda assim, não consegui resolver boa parte estas questões da minha vida. As coisas listadas acima eu não fiz a grande maioria ainda, eu quero fazer, mas não fiz ainda porque eu criei barreiras e estou tentando, aos poucos, transpô-las. Não é fácil. Alguém pode me dizer que isso tem a ver com baixa autoestima, também tem e o medo acabou reforçando isso de certo modo. Sempre me lembro de uma frase que meu irmão mais velho me disse há alguns anos, sua pior inimiga é você mesma. E ele tem razão, fui minha pior inimiga, e tento reverter isso. Sabe a vida passa, o tempo não vai diminuir seu ritmo por nossa causa, ela passa, você sentindo medo ou não.

Se eu tivesse um filho diria para ele, sinta medo, mas não o deixe paralisar a sua vida. Não é saudável se você se torna refém dele. Faça o que tiver que fazer, respeite seus limites, mas não deixe de fazer o que quiser fazer por causa do medo, ele é um freio para você que te mostra até onde pode ir. Mas se o medo crescer a tal ponto que domine a sua vida, é porque há algo de errado e tente reverter isso. Eu deixei de fazer muita coisa por causa do medo, muitas outras nunca farei porque o tempo já passou para isso, mas há outras que eu quero fazer e preciso fazer, quero experimentar, quero viver e com o medo do tamanho certo. Nunca pularei de punk jump, mas não quero ter medo de fazer por causa disso, apenas quero não fazer por não me interessar. Viva com o medo, mas ele no tamanho certo, não deixe que ele domine você, conviva com ele pacificamente, ele pode ser seu aliado, mas se você deixar que ele domine você, certamente, será o seu maior e pior inimigo. 

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